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Tag: PJ

Mais da metade dos brasileiros gostaria de trabalhar por conta própria, segundo pesquisa Datafolha

Mais da metade dos brasileiros prefere trabalhar por conta própria, revela levantamento do Instituto Datafolha publicado na última sexta-feira (20). Segundo os dados, 59% da população optaria pelo trabalho autônomo, contra 39% que ainda se sentem mais confortáveis com o emprego formal. Outros 2% não souberam responder.

Esse resultado marca uma mudança significativa no mercado de trabalho brasileiro, especialmente entre os mais jovens e os que possuem rendimentos mais altos. A pesquisa, realizada entre os dias 10 e 11 de junho com 2.026 entrevistados em 136 municípios, evidencia que a autonomia profissional vem ganhando cada vez mais espaço.

Entre os jovens de 16 a 24 anos, por exemplo, a preferência pelo trabalho por conta própria chega a 68%, contra apenas 28% que ainda buscam o emprego com carteira assinada. Já entre os maiores de 60 anos, 50% declararam que também gostariam de trabalhar por conta própria, frente a 45% que valorizam o vínculo formal. Esses números apontam para uma mudança geracional clara, em que a percepção de estabilidade e a busca por maior flexibilidade e controle da própria carreira têm superado a tradicional segurança da CLT.

Outro ponto que chama a atenção na pesquisa é a redução da parcela da população que prioriza o emprego formal, mesmo com salários mais baixos. Em 2022, 77% das pessoas preferiam a carteira assinada com menor remuneração, índice que caiu para 67% em 2024. Paralelamente, 31% dos entrevistados estariam dispostos a abrir mão do registro em carteira para receber um salário maior — 10 pontos percentuais a mais que em 2022. Entre essas pessoas que aceitam o trabalho sem vínculo formal, 85% demonstram interesse em trabalhar por conta própria, reforçando a relação entre maior rendimento e a rejeição à CLT.

No entanto, a pesquisa também destaca que a segurança da carteira assinada segue sendo prioridade para muitos, especialmente entre mulheres e trabalhadores de baixa renda. Dentre as mulheres, 71% preferem o emprego formal, contra 62% dos homens. Já entre quem recebe até dois salários mínimos, 72% dizem que valorizam o vínculo CLT. Por outro lado, entre os que ganham mais de dez salários mínimos, essa proporção cai para 56%, evidenciando que a segurança do emprego formal continua sendo um fator decisivo para os mais vulneráveis.

Esse cenário impõe novos desafios para a formulação de políticas públicas e para o próprio mercado. Com o crescimento da atividade autônoma, aumenta a necessidade de:

  • Reformular a previdência e os mecanismos de proteção social;
  • Revisar a regulação da informalidade;
  • Investir em qualificação profissional e educação financeira;
  • Facilitar o acesso a crédito para microempreendedores e autônomos.

Nesse contexto, programas como o Microempreendedor Individual (MEI) têm sido fundamentais para formalizar trabalhadores e garantir acesso a direitos básicos. Contudo, a pesquisa também evidencia que muitos profissionais estão dispostos a abrir mão dessas garantias em troca de maior renda e liberdade para conduzir a própria carreira.

A pandemia, o crescimento do empreendedorismo digital, a popularização do home office e o encarecimento do custo de vida foram fatores que impulsionaram essa mudança cultural. Além disso, a ascensão da chamada “gig economy” — marcada por freelancers e prestadores de serviços que atuam por meio de plataformas digitais — reforça a percepção de que o futuro do trabalho pode estar cada vez menos preso a contratos formais e cada vez mais orientado para a flexibilidade.

Os dados do Datafolha indicam um novo momento para o mercado de trabalho brasileiro: a busca por autonomia e maior potencial de ganho já rivaliza com a segurança tradicional da CLT. Para empresas, contadores e consultores, o momento exige um olhar atento a essas tendências. Compreender os impactos dessas escolhas, antecipar-se às novas demandas e adaptar-se às mudanças que já estão em curso será indispensável para garantir relevância e competitividade num cenário que se transforma a cada dia.

CLT x PJ

Nos últimos dias, a discussão sobre CLT e PJ tem ganhado força, e com razão! Afinal, essa é uma decisão importante que impact diretamente a vida profissional e financeira de muitas pessoas. Mas, você sabe a diferença entre CLT e PJ?

O que é CLT?

A CLT, sigla que significa Consolidação das Leis do Trabalho, assegura aos trabalhadores brasileiros benefício como direito a férias remuneradas, 13º salário e seguro-desemprego em caso de dispensa invonlutária. O regime de trabalho orientado por essa norma é popularmente conhecido como “trabalho registrado” ou “trabalho de carteira assinada”, em referência à anotação do empregador na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).

E quais as vantagens e desvantagens da CLT?

As principais vantagens da CLT são:

  • Direitos Trabalhistas garantidos por lei (férias, 13º salário, FGTS, seguro-desemprego, etc);
  • Maior segurança e estabilidade;
  • Benefícios como vale-transporte, vale-refeição e plano de saúde (dependendo da empresa).

E as principais desvantagens são:

  • Salário líquido geralmente menor devido aos descontos de INSS e Imposto de renda;
  • Menos flexibilidade em relação a horários e local de trabalho;
  • Menor autonomia para tomar decisões.

O que é PJ?

A PJ é a sigla para Pessoa Jurídica, que é o termo usado para identificar uma empresa, independentemente do seu porte. Isso quer dizer que, uma vez que haja um CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) ativo, o profissional pode ser considerado uma pessoa jurídica na hora de prestar os seus serviços. O regime de trabalho orientado pelo PJ é o “prestador de serviço”, que não possui vínculo empregaticio com a empresa contratante.

As regras legais a serem cumpridas por um empreendedor PJ são determinadas pelo regime jurídico da sua empresa. Isso quer dizer, por exemplo, que o valor a ser recolhido de impostos por sua atividade econômica depende do regime tributário que rege a sua empresa, por exemplo, se for um MEI, ou Simples Nacional, Lucro Real ou Presumido.

E quais as vantagens e desvantagens da PJ?

As principais vantagens são:

  • Maior flexibilidade e autonomia;
  • Possibilidade de ganhos mais elevados;
  • Maior liberdade para definir horários e local de trabalho.

E as principais desvantagens são:

  • Ausência de direitos trabalhistas garantidos por lei;
  • Maior responsabilidade em relação a impostos e obrigações fiscais;
  • Menor segurança e estabilidade.

Para o profissional, é importante analisar e ver quais dos dois regimes compensa mais, ser CLT ou PJ e quando cada opção traz de benefícios para a sua carreira e condiz com o momento da sua carreira.

Já para as empresas, a escola entre a contratação CLT ou PJ depende da necessidade daquele momento, e sempre seguindo as regras legais para cada forma de atividade.

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